O Brasil tem muito do que se orgulhar. Entre os motivos estão o crescimento do crédito, a queda da desigualdade de renda e a menor taxa de desemprego em abril desde 2002. Para muitos brasileiros, a vida nunca foi tão boa.
O país que já foi conhecido por sua incompetência macroeconômica vem mantendo uma estabilidade invejável. Não é de se surpreender que muitas autoridades econômicas brasileiras mostrem agora um ar de presunção, argumentando que o resto do mundo tem mais a aprender com o Brasil do que vice-versa.
O momento de tal tranquilidade, no entanto, não poderia ser pior. A economia está se aquecendo. A agenda de reformas fundamentais para o crescimento sustentável do país está parada. Além disso, há problemas políticos que não ajudam. O governo Dilma passa por um momento delicado com as denúncias de aumento irregular de patrimônio envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
Reformas urgentes
Tudo isso junto leva a um alerta: a economia brasileira está caminhando para uma inquietação. A inflação atinge 6,5% e está aumentando. A melhor forma de conter o risco de inflação é por meio de políticas macroeconômicas mais apertadas. Trata-se da melhor defesa do Brasil contra problemas econômicos de curto prazo.
Uma remodelação do governo é uma forma de impulsionar o crescimento de longo prazo. Um Estado simplificado vai melhorar o crescimento da produtividade. A reforma previdenciária também é urgente em um país que está envelhecendo rápido, assim como a reforma do sistema fiscal.
Tais reformas são difíceis e é tentador adiá-las. Mas, sem elas, a história de maior sucesso da América Latina vai começar a parecer bem menos brilhante.
Fontes: Economist - Brazil's economy: Too hot
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