Há 50 anos, em 25 de maio de 1961, John Kennedy convocou uma sesssão no Congresso norte-americano para que o país se comprometesse, antes da década acabar, em enviar um homem à Lua e o trazer de volta à Terra, em segurança. Se eles conseguissem, dizia ele, não seria apenas um homem a chegar na lua, mas uma nação inteira. Pouco mais de oito anos depois, quando Neil Armstrong se tornou o primeiro homem a pisar na superfície lunar, as imagens estamparam a memória de toda uma geração de terráqueos.
Muitos acreditaram que Kennedy acelerou a corrida à lua para se recuperar do fiasco da Baía dos Porcos. Para John Logsdon, o decano dos estudos espaciais norte-americanos, Kennedy não estava especialmente interessado no espaço. Em seu novo livro, “John F. Kennedy e a corrida para a Lua”, mostra uma visão mais generosa do acontecimento. Depois que a União Soviética colocou Yuri Gagarin em órbita, o ex-presidente acreditava ser vital para os Estados Unidos assumir e vencer os soviéticos em algo realmente difícil. A lua caiu como uma luva.
Quanto a saber se o evento valeu a pena, ainda não há respostas, mesmo passados 50 anos. O projeto Apollo custou cerca de US$ 150 bilhões (cotados na moeda atual), cinco vezes mais que o projeto Manhattan e 18 vezes mais o custo de escavação do canal do Panamá. Entretanto, o pouso na lua foi mais que uma vitória na Guerra Fria, também mudou a forma com que as pessoas de todas as nações refletiam sobre si mesmas e sobre o mundo que compartilham.
O jubileu do discurso de Kennedy chega em um momento complicado para a política espacial norte-americana. O lançamento, esta semana, do Endeavour, recebeu atenção especial porque foi comandado por Mark Kelly, marido da deputada do Arizona, Gabrielle Giffords. Ainda mais significativo será o último voo do Endeavour. Quando o Atlantis fizer sua última viagem, em meados de julho, todo o programa de 30 anos de voos do ônibus espacial chegará ao fim.
Os ônibus nunca conquistaram a imaginação pública como o programa da Lua. Foram confinados à órbita da Terra, onde fizeram seu trabalho, sem glamour, de lançamento de satélites ou transporte de astronautas para a Estação Espacial Internacional. A opinião pública se chocou com as tragédias, mas se seduziram pelos sucessos cotidianos. De fato, foram menos sucessos do que o anunciado.
O que os ônibus previam, entretanto, era uma maneira para a América transportar pessoas em baixa órbita da Terra. Uma vez que a frota está aterrada, por um tempo não há maneiras próprias de entregar homens em qualquer parte do espaço. O Congresso ordenou a Nasa a contribuir com um novo foguete, mais poderoso e maior que o Saturn V, mas o presidente Barack Obama cancelou todos os planos de voltar à Lua.
Para a maioria dos americanos, negligenciar o voo espacial humano desta forma parece um triste fim para o capítulo glorioso de Kennedy, aberto há meio século. Ele decidiu fazer conquistas para os Estados Unidos em um espaço emblemático da grandeza nacional, e o projeto teve êxito. O programa Apollo imitou os aspectos da economia, desenhada para repudiar.
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