Já se passaram três meses desde que a maior polêmica dentro da Orquestra Sinfônica Brasileira começou. O clima não acalma, e, conforme os dias passam, parece que a situação só se agrava. Após reuniões e tentativas de acordo, entra em cena o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a quem os músicos foram pedir ajuda.
Era janeiro, dois dias após o início das férias dos músicos, quando todos os integrantes receberam cartas com convocação a uma avaliação interna na orquestra. Sessenta dias era o prazo que teriam para se preparar para as provas, marcadas para o início de março. Assim que souberam da obrigatoriedade da avaliação, os músicos colocaram-se contra a administração da orquestra.
Aparentemente as provas pareciam simples, cada integrante deveria subir ao palco do Teatro Noel Rosa, na Uerj, e tocar sozinho durante 30 minutos, perante uma banca avaliadora. Na banda, estariam músicos estrangeiros, convocados para a avaliação, e o maestro Roberto Minczuk. No repertório, segundo a OSB, partituras definidas pelo grupo previamente, e de conhecimento dos músicos.
Os integrantes não se conformaram, já que acreditam ser avaliados diariamente durante os ensaios da orquestra. Também acreditavam que o período não seria suficiente para o ensaio do repertório, e que eles deveriam ter sido convocados para debater o sistema de avaliação. Uma reunião com o maestro da OSB foi convocada. Os músicos pediram que o documento de convocação fosse inteiramente refeito, e as avaliações canceladas. Nenhum acordo foi feito.
Em assembleia, na sede do Sindicato dos Músicos do Estado do Rio de Janeiro, um grupo de 58 integrantes da OSB decidiu que 56 deles não participariam da avaliação. Ao todo, a Orquestra tem 82 músicos. O maestro diz que o pedido para redução do repertório e mudança no programa foi atendido. “A orquestra acabou de tocar este repertório. Não imaginei que fosse haver uma reclamação”, alega o maestro.
A data das avaliações chegou e os músicos boicotaram os comunicados. Aos que não compareceram às audiências, uma nova carta foi enviada com uma segunda convocação. Na carta, o aviso de que uma nova falta seria passível à punição. Uma mesa redonda, no ministério do Trabalho, foi convocada para o dia 10 de março, entre os músicos e a administração da OSB. A administração pediu o adiamento do encontro para que houvesse tempo de avaliar as propostas.
A segunda chamada de testes manteve o alto número de faltas. Dos 82 músicos da orquestra, exatamente a metade faltou à prova. Os 41 integrantes receberam um novo comunicado para um encontro na sede da OSB. Apenas dois compareceram ao local, o violinista Adonhiran Reis, há três anos na orquestra, e o trombonista Marco Antônio De La Favera, integrante há 26 anos. Os dois receberam o comunicado que estavam sendo demitidos por justa causa.
Com a notícia da demissão dos músicos, que se recusaram a assinar qualquer tipo de documento, o caso foi, finalmente, levado ao Ministério do Trabalho, e conta agora com a intervenção de Lupi. Tudo isso com a semana de estreia da nova temporada da Orquestra, na última quarta-feira, 30. O maestro garante: a programação não será modificada.
Polêmica na OSB abala o mundo da música clássica brasileira
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